Só que a Dona da Pista resolveu levantar. É. Ela era amiga da Dona da Pista e tocou a música preferida da Dona, então elas foram dançar. (Talvez por causa dessa música é que o DJ tenha reparado.) E quando elas começaram a dançar, ela a viu. Mas ela já a tinha visto primeiro e, apesar da Tequila, teve a certeza de que a conhecia de algum lugar. Porque quando bebemos, mesmo em sonhos, gostamos de conhecer todos de todos os outros sonhos (mesmo dos pesadelos) ou da vida (ir)real ou de qualquer outra dimensão. Nós sempre gostamos de conhecer outras pessoas de outros lugares. Não importa de onde e nem quem são as pessoas. Temos de conhecê-las. Dançando, junto com a Dona da Pista, ela olhou pra a menina algumas (poucas) vezes. Porque ela não achou que a conhecia e, apesar do olhar tímido, ela não era muito mais bonita do que as outras. As outras tinham um certo charme, um certo impedimento que a menina da tequila não tinha. Ela era tremendamente disponível e disponibilidade não era uma coisa interessante para ela. Não em sonhos. Sonhos são para as coisas impossíveis; as disponíveis que fiquem com o mundo em preto e branco. Mas o olhar dela era infalível. E ela começou a ficar viciada nos olhos da menina, precisava olhá-los de dez em dez segundos. O vício piorou de uma forma tão avassaladora que em minutos ela já não conseguia mais desviar os seus olhos rosas dos dela. (Sim, em sonhos os olhos podem ser coloridos.) Os olhos dela estavam envolvidos por um líquido invisível que viciava as meninas de olhos rosas. Era oficial: ela estava viciada...
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[continua]



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