Elas se conheceram em um sonho. A música era alta e tinha gente falando coisas impossíveis, coisas de sonhos. Elas não sabiam que estavam em um sonho e nem as pessoas que falavam as coisas impossíveis sabiam. Em sonhos as pessoas não sabem que são apenas sonhos. E não percebem que as coisas que falam são impossíveis. Não em sonhos, oras...Então elas se conheceram em um sonho. Não era o maior sonho de todos, nem o mais colorido, nem o mais feliz, nem o mais cheiroso. Não, era só um sonho, desses que se sonha em uma quarta-feira à noite. Desses que a gente não lembra que sonhou porque, aparentemente, não foi importante. As coisas impossíveis não são importantes fora dos sonhos (e é por saber disso que elas não saem deles). O sonho não seria lembrado se não fosse a música. Uma elas estava sentada, em um canto qualquer do sonho, bebendo Guaraná. A outra não estava sentada. Ela saía do banheiro quando a viu pela primeira vez. Mas havia um milhão de garotas mais bonitas do que ela e em sonhos garotas que ficam sentadas bebendo Guaraná nunca chamam muito a atenção. Não, ela não a percebeu. Elas não se perceberam. Elas não se viram, na verdade. Talvez o DJ tenha reparado na química, nos hormônios ou no cheiro do perfume dela. Talvez o DJ tenha percebido, mas isso também não é certo. Nada costuma ser muito certo em sonhos. Não nos sonhos da menina que bebia Tequila e tinha um rosto quadrado...
[continua]



Um comentário:
HAHAHA.
termina de postar, kine. HAHAHA
beeijo. ;*
Postar um comentário