sábado, 9 de agosto de 2008

The Dream (Final)

E quando os lábios já estavam há muito tempo brincando e quando a língua de uma já era parte da boca da outra e quando o gosto de Tequila já corria pelas veias do lado direito. Foi quando tudo isso aconteceu que a música foi embora. As músicas nunca iam embora sozinhas naquele lugar. As músicas misturavam-se umas com as outras e abraçavam os cheiros e diziam tchaus demorados. As músicas gostavam de beijos lá, mas essa, mesmo sendo a tal música, teve que ir embora. O beijo acabou subitamente. Elas abriram os olhos, assustadas. Acordaram.Mas os olhos rosas entravam dentro dos olhos dela, deixando-a sem direção.Não fora um sonho. A música ainda estava tocando (e alto).
.[Fim]

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

The Dream (Parte 3)


Então tudo começou a girar e ela precisou apoiar-se na parede e a Dona da Pista não percebeu. A Dona da Pista preferia dançar a ajudar ou a namorar ou a ver líquidos invisíveis. Até porque ela era a Dona da Pista e as donas de pistas precisam cuidar de suas pistas de dança, para não perdê-las – há mais pessoas do que você pode imaginar querendo pistas de dança. E ela percebeu, apesar da Tequila e do mundo girando, apesar do líquido invisível que embaçava um pouco a sua visão. Ela percebeu que ela não se sentia bem. Achou que o líquido poderia fazer estragos, então fechou os olhos, andou até o lado dela, encostou na parede e disse: - Me dá um beijo que o enjôo passa. Ela não acreditou, apesar do vício, apesar do mundo girando, apesar da Dona da Pista não vir ajudá-la. Ela não acreditou, mesmo estando em um sonho em que as coisas são reais. Ela não entendeu que o enjôo era realmente culpa da menina. Não. Ela sorriu e esperou pelo beijo, mesmo não sendo um menino que a iria beijar, ela esperou que a menina da tequila a beijasse. O cheiro do lugar era forte demais, deixava qualquer um real. Era cheiro de cigarro e cheiro de incenso, era cheiro de lágrimas e cheiro de sorrisos, era um cheiro que não se dissolvia, um cheiro que não combinava com oxigênio, um cheiro que viciava e que deixava o ar laranja, um cheiro de cores fortes. Ela não gostava mais do cheiro quando finalmente foi beijada. Quando finalmente ela teve a certeza que o enjôo iria embora (junto com o cheiro), a música passou por elas. A tal música.


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[continua]

The Dream (Parte 2)




Só que a Dona da Pista resolveu levantar. É. Ela era amiga da Dona da Pista e tocou a música preferida da Dona, então elas foram dançar. (Talvez por causa dessa música é que o DJ tenha reparado.) E quando elas começaram a dançar, ela a viu. Mas ela já a tinha visto primeiro e, apesar da Tequila, teve a certeza de que a conhecia de algum lugar. Porque quando bebemos, mesmo em sonhos, gostamos de conhecer todos de todos os outros sonhos (mesmo dos pesadelos) ou da vida (ir)real ou de qualquer outra dimensão. Nós sempre gostamos de conhecer outras pessoas de outros lugares. Não importa de onde e nem quem são as pessoas. Temos de conhecê-las. Dançando, junto com a Dona da Pista, ela olhou pra a menina algumas (poucas) vezes. Porque ela não achou que a conhecia e, apesar do olhar tímido, ela não era muito mais bonita do que as outras. As outras tinham um certo charme, um certo impedimento que a menina da tequila não tinha. Ela era tremendamente disponível e disponibilidade não era uma coisa interessante para ela. Não em sonhos. Sonhos são para as coisas impossíveis; as disponíveis que fiquem com o mundo em preto e branco. Mas o olhar dela era infalível. E ela começou a ficar viciada nos olhos da menina, precisava olhá-los de dez em dez segundos. O vício piorou de uma forma tão avassaladora que em minutos ela já não conseguia mais desviar os seus olhos rosas dos dela. (Sim, em sonhos os olhos podem ser coloridos.) Os olhos dela estavam envolvidos por um líquido invisível que viciava as meninas de olhos rosas. Era oficial: ela estava viciada...




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[continua]

domingo, 3 de agosto de 2008

The Dream (Parte 1)

Elas se conheceram em um sonho. A música era alta e tinha gente falando coisas impossíveis, coisas de sonhos. Elas não sabiam que estavam em um sonho e nem as pessoas que falavam as coisas impossíveis sabiam. Em sonhos as pessoas não sabem que são apenas sonhos. E não percebem que as coisas que falam são impossíveis. Não em sonhos, oras...Então elas se conheceram em um sonho. Não era o maior sonho de todos, nem o mais colorido, nem o mais feliz, nem o mais cheiroso. Não, era só um sonho, desses que se sonha em uma quarta-feira à noite. Desses que a gente não lembra que sonhou porque, aparentemente, não foi importante. As coisas impossíveis não são importantes fora dos sonhos (e é por saber disso que elas não saem deles). O sonho não seria lembrado se não fosse a música. Uma elas estava sentada, em um canto qualquer do sonho, bebendo Guaraná. A outra não estava sentada. Ela saía do banheiro quando a viu pela primeira vez. Mas havia um milhão de garotas mais bonitas do que ela e em sonhos garotas que ficam sentadas bebendo Guaraná nunca chamam muito a atenção. Não, ela não a percebeu. Elas não se perceberam. Elas não se viram, na verdade. Talvez o DJ tenha reparado na química, nos hormônios ou no cheiro do perfume dela. Talvez o DJ tenha percebido, mas isso também não é certo. Nada costuma ser muito certo em sonhos. Não nos sonhos da menina que bebia Tequila e tinha um rosto quadrado...
[continua]

Anna In Wonderland

Quem foi que disse que as coisas iriam ser fáceis? Talvez fosse o chapeleiro maluco que habita meus pensamentos mais obscuros, tentando fazer com que um sorriso e uma brecha de esperança surgisse do nada fazendo iluminar dentro do meu peito. A falsa esperança que ele me deu, talvez seria a oportunidade perfeita pra min, sem motivação alguma, resolve ver a vida como um grande parque de diversões. E foi o que aconteceu... Chapeleiro me disse, sorria que agora você ira finalmente ser feliz na sua vida. Se jogue de cabeça, pois você não terá outra oportunidade dessas. Foi o que eu fiz! Arrependo-me amargamente de ter confiado em tal rebaixada criatura que ao longo de minha vida vem mastigando cada parte de meu cérebro, dizendo para mim fazer coisas que na realidade não seriam as certas a tomar. Otária! E repito mais uma vez, otária! Talvez não fosse culpado chapeleiro, talvez fosse minha culpa de não perceber que aquilo tudo era uma armadilha para tentar mais uma vez cortar minha cabeça. Não percebi nada! Deixei-me levar para uma simples distração do meu coração. Foi então que o chapeleiro mastigou um pouco de minha sã consciência e fez-me acreditar que ela era real, que queria estar comigo, que queria realmente viver ao meu lado. Acredite no chapeleiro, fiquei uma noite com o sorriso no rosto, como o sorriso do gato. Mas o sorriso do gato foi se dissolvendo ao ver que ela havia sumido.Um dia atrás do outro, sem sair do meu quarto, esperando que finalmente ela viesse falar comigo. O chapeleiro era o único que me motivava. Foi então que não deixei mais o ser desprezível mastigar o resto de minha consciência. Acordei e vi que ela na verdade não existia, talvez fosse apenas mais uma brincadeirinha da rainha de copas para deixar meu coração em pedaços. Talvez fosse apenas um convite para o chá da tarde com ocoelho... Ou simplesmente a sábia lagarta querendo testar meus conhecimentos. Quem vai saber... Apenas espero encontrar mais um pedaço do cogumelo para eu finalmente voltar ao tamanho real e chegar finalmente para a realidade. Porque desse país de maravilhas, já me cansei!